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Espetáculo teatral “Quarança” denuncia a violência contra a mulher

Espetáculo teatral “Quarança” denuncia a violência contra a mulher

Novo espetáculo d’A Próxima Companhia, está em cartaz até 21 de maio no Espaço Cultural A Próxima Companhia, na zona oeste de São Paulo


19/04/2017 - Lucas Hensou

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Em cartaz até o dia 21 de maio no Espaço Cultural A Próxima Companhia, na zona oeste de São Paulo, o espetáculo “Quarança”, nova produção d’A Próxima Companhia em parceria com a Unaluna –  Pesquisa e Criação, propõe uma reflexão sobre a violência contra a mulher.

A palavra “quarança” vem do verbo “quarar a roupa”, do regionalismo brasileiro, que significa clarear a roupa pela exposição à luz do sol. Da mesma forma, o espetáculo “Quarança” expõe à luz do teatro questões referentes à opressão feminina em nossa sociedade, tais como o estupro, o feminicídio, a pedofilia e o controle do macho sobre a mulher, seja ela criança, adulta ou idosa. Tais questões são estendidas à luz de “Quarança”.

O espetáculo é uma fábula dramatúrgica que conta a história de Alereda, uma cidade fictícia onde o sol é insistente e a terra esturricada. Alereda é feita de caminhos estreitos, uma trama de vida e morte. Ocupada por um exército de jagunços, liderados pelo temido Sô Déo, o lugarejo tem suas mulheres violentadas, mortas e, uma a uma, quaradas ao sol, veladas sem lua, extintas, carbonizando o chão.

Neste contexto surge a guerreira Rosa Ararim, que se posiciona contra este estado falocêntrico de opressão. Luciana Lyra assina a dramaturgia, encenação e direção e a peça traz à cena as atrizes Juliana Oliveira e Paula Praia, d’A Próxima Companhia e a atriz convidada Lívia Lisbôa.

O processo de pesquisa da companhia iniciou-se em 2014, mesclando vivências pessoais das atrizes-criadoras e da diretora com referências externas, como filmes, livros, artigos, espetáculos, palestras, documentários etc. Uma das ferramentas que a companhia utilizou para aproximar os mitos pesquisados da realidade vivida foi o levantamento de depoimentos de mulheres comuns. Relatos de familiares e amigas, histórias de notícias de jornal, fábulas urbanas etc.

“A partir de nossas experiências pessoais, queremos ampliar o debate sobre a opressão contra as mulheres. E não pretendemos trazer uma versão da mulher somente como vítima, e sim, como ser histórico – sujeito e objeto destas situações -, trazendo à tona histórias de mulheres comuns, afinal, o universo pessoal também é político”, conta a atriz-criadora d’A Próxima Companhia Juliana Oliveira.

“Em pleno século XXI, basta abrir o jornal para vermos ainda hoje meninas de 10 anos (ou menos) sendo obrigadas a casar por acertos de suas famílias, desigualdade gritante de salários, estupros e culpabilização das vítimas, mortes por abortos clandestinos, a obrigatoriedade de abrir mão de sonhos para ser uma ‘esposa perfeita’ ou mãe muito jovem, violência física, moral e verbal. A sociedade em que vivemos ainda acha bastante indigesto ser comandada por uma mulher, seja no plano familiar, empresarial ou político”, conta a atriz Paula Praia.

“Estes fatos que nos assolam todos os dias se tornaram um caldeirão muito rico de material para nos posicionarmos política e artisticamente. Estas histórias perpassam nossas vidas também, embora não tenhamos sido as protagonistas de todas elas. Quando percebemos isso, ficou impossível não nos posicionarmos. Nós três, atrizes d’A Próxima Companhia, escolhemos o teatro para este posicionamento. Ou melhor, temos a obrigação de fazê-lo”, conclui.

Além das apresentações no Espaço Cultural A Próxima Companhia até 21 de maio, “Quarança” também vai circular por diversos espaços culturais independentes da cidade de São Paulo. O projeto, aprovado pelo Prêmio Zé Renato 2016 – 4ª edição, é uma parceria entre A Próxima Companhia e a Unaluna –  Pesquisa e Criação.

Serviço:
Espetáculo “Quarança” d’A Próxima Companhia
Temporada até 21 de maio de 2017 (sextas e sábados às 21h; domingos às 19h)
Espaço Cultural A Próxima Companhia
Rua Barão de Campinas, 529 – Campos Elíseos – São Paulo, SP (Próximo à Estação Santa Cecília do Metrô)

 

Ingressos:
R$ 20,00 (inteira) R$ 10,00 (meia)

 

 

Detalhes

Início:
19 abril 2017 @ 19:00
Final:
21 maio 2017 @ 21:00