Se liga Documentário de Márcia Paveck, “O Corpo em Terapia” estréia essa semana no Festival Internacional de Cinema de Nice

Documentário de Márcia Paveck, “O Corpo em Terapia” estréia essa semana no Festival Internacional de Cinema de Nice

O filme, que concorre nesta sexta-feira,11, ao prêmio de "Melhor Direção", tem uma abordagem terapêutica inovadora e mostra que está "tudo bem em não estar bem" nos dias de hoje


11/05/2018 - Bárbara Benedetti Nucci

“A vida começa onde termina o medo. A verdadeira questão não é se existe vida após a morte. A verdadeira questão é saber se você está vivo antes da morte”. Esta é apenas uma das reflexões abordadas no longa metragem “O Corpo em Terapia”, dirigido por Márcia Paveck e produzido pela Araruna Filmes e RB6 Produções, no qual retrata o processo terapêutico de três personagens (Roberta, Pedro e Tânia) na busca pela conexão entre mente e corpo.

O filme, que acaba de vencer como “Melhor Longa Estrangeiro” no LAIFF Awards (Los Angeles Independent Film Festival Awards) e estréia no Nice Internacional Film Festival no dia 11 de maio deste ano ao concorrer como “Melhor Direção”, teve como diretora — e produtora também — a terapeuta Márcia Paveck, que é quem orienta os personagens do documentário no decorrer de sete passos acerca do autoconhecimento, que são: Reconhecimento, Identificação, Desidentificação, Transmutação, Transformação, Elaboração e Integração.

“Começamos pela identificação e reconhecimento dos bloqueios ou desafios, e a partir de um trabalho transpessoal e artístico, olhamos de fora do próprio conflito (manifestado em algo concreto e visível), nos desidentificando das imagens mentais, mapeando e explorando caminhos criativos para transmutar e transformar nossos conflitos em aprendizagem”, explica Paveck, salientando que além de ser conduzido de maneira a viver o processo, o indivíduo é convidado a ser o protagonista da própria história, desvinculando-se das antigas projeções de si mesmo e, portanto, conseguindo elaborar e integrar o aprendizado.

O documentário pretende inspirar as pessoas, relembrá-las do poder de cura que cada uma tem dentro de si. De acordo com Paveck, a intenção não é ser um guia terapêutico, mas levar o conhecimento desta prática além. “Sentia uma necessidade de mostrar para o mundo como a terapia corporal com aborgagem transpessoal promove transformações significativas. E sempre vi no audiovisual uma potente plataforma de levar o conhecimento adiante”, acrescenta a diretora.

A cineasta Niny Ring, produtora executiva do filme e empreendedora da Araruna Filmes, destaca que foi exatamente isto que as conectou, “perceber a sétima arte (audiovisual) como ferramenta para a construção de um mundo melhor”.

 

Terapia em ação

Pela primeira vez Paveck vivenciou a experiência de produzir e dirigir um longa metragem ao mesmo tempo em que atendia os seus clientes. A partir disto, ela desenvolveu uma nova forma de terapia, com foco na recuperação da saúde mental, emocional e espiritual. “Através do método que desenvolvi, documentamos o processo terapêutico do cliente e ele tem a possibilidade de se ver de outro ângulo, resultando na mudança de percepção sobre si mesmo e sobre seu conflito. A mudança do ponto de vista, através de um olhar generoso, nos permite acolher a imagem que temos de nós mesmos e encontrar nossa verdadeira identidade”, diz Paveck sobre esta nova forma de se fazer terapia.

Ela mesma obteve uma autotransformação ao integrar sua visão de diretora e terapeuta. “Percebi que a mudança da perspectiva é uma ferramenta poderosa”, ressalta.

No documentário “O Corpo em Terapia”, Paveck optou por não aparecer nas filmagens, pois, segundo a diretora, o protagonismo foi e é deles. “Minha função é caminhar ao lado, ajudando e facilitando o processo terapêutico”, finaliza.

 

Atores e pacientes

 

Mas e quanto aos pacientes, que agora são também personagens principais de um filme que vem sendo premiado e reconhecido mundo afora?

Cada um passou por diferentes desafios e descobertas durante as sessões. No entanto, todos acabaram por vivenciar uma nova experiência, fazendo parte das filmagens deste longa metragem e expondo sem travas suas emoções e medos mais íntimos, geralmente confiados e confinados tão somente ao terapeuta e sua sala. “Eu prefiro chamar meus ‘pacientes’ de clientes porque parto da premissa que eles são seus próprios curadores. E vejo que o filme traz essa mensagem”, enfatiza a diretora.

A terapeuta recebeu mensagens positivas dos protagonistas em diferentes momentos em que eles reassistiram às filmagens. Para ela, rever seu próprio processo de terapia no longa metragem permitiu que cada um honrasse seu caminho de autodescoberta e transformação.

 

Depoimentos inspiradores

 

“Eu só consigo pensar em gratidão. Sinto que meu abraço está mais profundo e que há vontade de rever amigos antigos e fazer novos. Me sinto apaziguada, tendo vontade de seguir”.

Roberta, bailarina e professora de dança.


“Pessoalmente me sinto confortável, corajoso e receptivo para passar por cima dos hábitos condicionados que detectei durante o processo. Obtive clareza para perceber as verdadeiras amarras que me bloqueavam e principalmente, compaixão para comigo mesmo e minhas fragilidades”.

Pedro, formado em cinema.

 

 “Eu estou me sentindo muito alegre. Quando ampliamos a mente, focamos nas possibilidades. E as possibilidades — para mim — dão a sensação de que há cura. De cura para vida, de cura para você vivê-la de uma maneira plena”.

Tania, psicóloga.

 

Além de “Melhor longa estrangeiro” pela LAIFF Awards (Los Angeles Independent Film Festival Awards), o documentário conquistou mais 14 premiações: Prêmio de melhor direção também pelo LAIFF Awards (Los Angeles Independent Film Festival Awards); Prêmio de melhor Diretora no Hollywood International Moving Pictures Awards; Melhor documentário Hollywood International Moving Pictures Awards; Prêmio de melhor longa metragem (estrangeiro) – Hollywood Independent Documentary Awards; Semi-finalista no Los Angeles Cine Fest; “Melhor Documentário” no I Filmmaker International Film Festival; e Semi-finalista em “Melhor Filme” no Atlanta DocuFest.

Sobre as produtoras

 

Araruna Filmes

A Araruna Filmes é uma produtora audiovisual focada em educação, sustentabilidade e desenvolvimento humano. A empresa tem duas áreas de atuação: produção de filmes e séries pra tv e cinema; e produção de vídeos, comerciais e institucionais pra divulgar iniciativas que melhoram o mundo.

Atualmente conta com mais de 100 premiações no setor com lançamentos no cinema, tais como a comédia sobre corrupção “Quando Parei de me Preocupar com Canalhas”, atuando Matheus Nashtergaele e Paulo Miklos; e o documentário “O Corpo em Terapia”.

 

RB6 Produções

Produtora independente criada no final de 2015 e focada em projetos documentais com relevância artística, social e cultural. Busca aliar boas histórias à narrativas modernas, entretendo e informando com conteúdos de qualidade ao seu público alvo. Dentre seus principais projetos estão o longa-metragem “Corpo em Terapia”; a série documental “Expedição Raiz”, com estréia no canal MaisGlobosat em 2019; a série internacional “Horizontes – América do Sul”; e a mini-série “Desconecte”.

 

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