Se liga Claudia Canto relata suas experiências multifacetárias

Claudia Canto relata suas experiências multifacetárias


09/08/2016 - Lucas Hensou

Quebrando os protocolos que de início são subjugados aos moradores de periferia, Claudia Canto conquistou o seu espaço sem se envergonhar de onde veio. Nascida e criada na Cidade Tiradentes, periferia de São Paulo, onde abriga o maior complexo de conjuntos habitacionais da América Latina. A paulistana tornou-se uma profissional multifacetada: escritora, relações públicas, jornalista, palestrante e técnica de enfermagem. Diversas viagens internacionais propiciaram grandes experiências nos centros urbanos, Alemanha, Lisboa, Espanha e Paris são um dos muitos destinos que explorou

Seu primeiro livro, “Morte ás vassouras”, lançado em 2002 e que no último ano ganhou uma segunda edição inglês e português, trata-se de um diário, que retrata sua experiência como empregada doméstica em um palacete em Lisboa. Chegar à Europa com 500 euros do bolso, viver como imigrante ilegal, trabalhar como empregada doméstica em cárcere privado são algumas das lembranças que a jornalista tem para contar. “Cheguei a fazer alguns trabalhos na Europa, escrever para jornais e a vender anúncios também, mas não podia mostrar me identificar, porque eu estava como ilegal”, conta Claudia, que encontrou na função de empregada doméstica um caminho para o sustento. Entre as experiências vividas, essa foi a mais difícil: “Trabalhava e cuidava de dois idosos na casa, não tinha praticamente folga, nem podia sair para nada, nem para telefonar”. Não voltar de “mãos abanando” foi o que motivou Claudia a continuar na “prisão”.

Ao todo são quatro livros publicados: “Morte ás vassouras” (2002-2015), que em sua segunda edição foi lançando em três centros de estudo do Reino Unido, dentre os quais Universidade de Oxford; “Bem-vindo ao mundo dos raros” (2004), que conta sua experiência como técnica em enfermagem em um hospital psiquiátrico, depois de ter voltado da Europa; “Mulher moderna tem cúmplice” (2006) e “Cidade Tiradentes, de menina a mulher” (2008). Com temas repletos de curiosidade e todos com experiências vividas pela autora. A vida reservou para ela momentos inéditos, um conjunto de situações que pouca gente viveu.

De jornalista a imigrante ilegal na Europa e técnica de enfermagem em clínica psiquiatra no Brasil. É assim a vida nada comum de Cláudia Canto.